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DOSSIÊ: ARTE, ESTÉTICA, PSICANÁLISE

A primeira pergunta que precisa ser feita a fim de abordar o problema das relações entre psicanálise e arte é a seguintes: Com que direito, ou a que título, ou ainda com que credenciais a psicanálise se investe da tarefa de emitir juízos sobre a arte e/ou sobre os artistas? Esta primeira pergunta imediatamente se desdobra em outras. Até que ponto uma teoria do inconsciente psíquico está em condições de extrapolar seu campo primeiro de aplicação e se enveredar pelos teatros, museus, salas de concerto, telas, esculturas, instalações, etc? Sendo uma disciplina eminentemente clínica, não corremos o risco de transformar a psicanálise numa visão de mundo, num sistema totalizante capaz de decifrar o sentido de tudo o que se apresente diante do olhar suspeito e da escuta atenta do psicanalista?

São bem conhecidas as incursões de Freud nos diversos domínios da arte, desde o teatro e a literatura até as artes plásticas. Comecemos por seu interesse pela tragédia clássica grega. Um conceito como o de "complexo de Édipo", que qualquer pessoa medianamente informada sabe mais ou menos o que quer dizer, é o resultado mais evidente da aproximação entre a psicanálise e o teatro grego. Mas trata-se aí de um empréstimo da psicanálise à arte ou o inverso?

Como é sabido de todos, no que tange à literatura de língua alemã, Freud estabelecesse redes de contato com a escrita de Schiller, Goethe e Heine, entre outros.  Além disso, temos, ainda, as conhecidas incursões de Freud na psicologia de alguns artistas proeminentes, como Leonardo e Michelangelo; como Goethe, Jensen e Dostoiévsky. Em geral, estes textos procuram desvendar mecanismos psíquicos e pulsionais subjacentes à criação artística. Muitos comentadores assinalaram o privilégio dado ao conteúdo das obras, muito mais do que aos aspectos formais ou mesmo materiais destas. Mas isso esgota a estética freudiana? Em que medida, o dispositivo teórico criado por Freud nos faculta ferramentas para leitura de obras de arte? Sem falar ainda da contribuição teórica de outros autores, contemporâneos ou discípulos de Freud, como Otto Rank, ou posteriores, como Jacques Lacan, o inventário de questões e problemas levantados com a psicanálise ainda está por ser feito. As relações entre arte e psicanálise, entre pensamento estético e psicanálise foram postas por filósofos como Adorno, Marcuse ou Rancière. Por outro lado, incontáveis artistas – nas mais diversas manifestações - se apropriaram de ideias e conceitos psicanalíticos. O presente dossiê pretende dar sua contribuição a este inventário.

Eixos temáticos

- Arqueologias do inconsciente no pensamento estético

- Arte e psicanálise

- A dimensão estética da clínica

- Loucura e arte

- Viena fin-de-siècle

- Sublime, sublimação e seus paradoxos

- Psicanálise e arte contemporânea

- Leituras filosóficas da psicanálise

- Estilísticas da subjetividade

- Estéticas do real

Prazo para submissão: 08/10/2017

Editor Responsável: Gilson Iannini