OS DESAFIOS DE UMA GESTÃO ADMINISTRATIVA NA ÓTICA DA RACIONALIDADE SUBSTANTIVA

Émerson Dias DE OLIVEIRA

Resumo


Discorrer da racionalidade substantiva é uma oportunidade de questionar os modelos empresariais em vigência atualmente, os quais usam em seus sentidos uma predominância praticamente integral de quesitos instrumentalizados, focados eminentemente em elementos mercadológicos e colocando em planos secundários a dimensão humana nas suas estratégias institucionais. Desta feita, ao desconsiderar as necessidades sociais de seu corpo funcional, tem-se também uma despreocupação com os valores e virtudes localizados, resumindo em uma ação institucional com enfoques externalizados e apenas atuam na exploração dos recursos humanos e materiais localmente. Assim, com base nos estudos do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos, este ensaio traz a tona uma reflexão da racionalidade substantiva no ambiente organizacional, sendo que essa questão é inicializada nas observações isoladas dos sujeitos, considerando a noção do “homem parentético”, ou seja, o indivíduo politizado de sua existência e ação social. Neste sentido, considera-se que é possível a realização de uma racionalidade instrumental em paralelo a racionalidade substantiva, carecendo, no entanto, de um equilíbrio entre as duas de forma que se garanta uma sustentabilidade existencial da empresa como essência principal de suas políticas administrativas e operacionais.

Texto completo:

PDF

Referências


AZEVÊDO, A.; ALBERNAZ, R. A ‘antropologia do guerreiro’: a história do conceito de homem parentético. Cadernos EBAPE.BR, v. 4, n.3, out. 2006, pp. 1-19. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/cadernosebape/article/view/7398. Acesso em: 06 set. 2017.

BARBOSA, W. Indústria, Agricultura e Padrão de Acumulação (1956 à 1976). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Goiás, 1997. Disponível em: https://pos. historia.ufg.br/up/113/o/BARBOSA__Walmir._1997.pdf. Acesso em: 15 ago. 2017.

BEGAZO, J. D. AGURTO, R. T. Del Hombre Autorrealizado al Hombre Modular. In: Gestion en el Tercer Milênio, Revista de Investigacion de la Facultad de Ciências Administrativas, UNMSM, ano 6, n 12, Lima-Peru, p.55-66, dez 2003.

CAPRA, F. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2002.

CARVALHO, K. C.; ESCRIVÃO FILHO, E. A tensão administrativa: a visão de Guerreiro Ramos. In: ESCRIVÃO FILHO, E. PERUSSI FILHO, S. Administração e ... evolução do trabalho do administrador. São Carlos: RiMa, 2008.

CMMAD. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991.

GUERREIRO RAMOS, A. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. 2.ª ed., Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1989.

______________________. Modelos de Homem e Teoria Administrativa. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro. v. 18, n. 2 p. 3-12, abril/jun. 1984.

______________________. A redução sociológica: introdução ao estudo da razão sociológica. Rio de Janeiro: Coleção Tempo Novo, 1965.

HABERMAS, J. Teoría de la acción comunicativa II: crítica de la razón funcionalista. Madrid: Taurus, 1987.

HEIDEMANN, F. G. Florianópolis. Entrevista pessoal concedida a Giórgio de Jesus da Paixão, gravada em 18 de junho de 2013.

JACOBI, P. Poder local, políticas sociais e sustentabilidade. Saúde sociedade [online], volume 8, número 1, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v8n1/04.pdf. Acesso em 08 set. 2017.

JUSTEN, C. E.; MORETTO NETO, L. Gestões do desenvolvimento e desenvolvimentos da gestão: da unilateralidade reificada à dialogicidade da simbiose homem/natureza. Cadernos EBAPE/BR, v. 11, n. 2, p. 295- 310, jun. 2013.

LIMA, A. As 5 leis da abundância. Instituto EFT Brasil, São Paulo, 2017. Disponível em: http://www.eftbrasil.com.br/5-leis-da-abundancia/. Acesso em 05 set. 2017.

MANNHEIM, K. O homem e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1962.

OLIVEIRA, F. B. Razão instrumental versus razão comunicativa. In Revista de Administração Pública. 27(3). Rio de Janeiro: FVG, jun/set 1993.

PAES DE PAULA, A. P. Guerreiro Ramos: resgatando o pensamento de um sociólogo crítico das organizações. Organizações e Sociedade, v.14, n.40, Jan./mar 2007. pp. 169-188.

PAULINO, E. T. Por uma geografia dos camponeses. – São Paulo: Editora UNESP, 2006.

PASSERI, E. L. A racionalidade substantiva na gestão empresarial. Revista CADE-FMJ, v. II, p. 46, 2001.

POLANYI, Karl. A grande transformação: as origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 1980.

RIZZIERI, J. B. Introdução à economia. In: Manual de economia. GREMAUD, A. P. et al. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

SERVA, M. R. O. Racionalidade e organizações: o fenômeno das organizações substantivas. 633 f. Tese (Doutorado em Administração) – Fundação Getúlio Vargas. São Paulo: EAESP/FGV, 1996.

_________________. O fenômeno das organizações substantivas. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v.33, n.2, mar./abr.,1993.

_________________. A racionalidade substantiva demonstrada na prática administrativa. RAE – Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 37, n. 2, p. 18-30, abr.-jun. 1997.

SILVA, P. R. Consciência e Abundância. 2 ed. Niterói, 2006.

VAN PARIJS, P. Que é uma sociedade justa, Introdução à prática da filosofia política. (Qu’est-ce qu’une societé juste?, 1991). Tradução: Cíntia Ávila de Carvalho. São Paulo: Editora Ática, 1997.

WEBER, M. Economia e sociedade. Fundamentos da Sociologia compreensiva. v. 1. 4. ed. 3. reimpr. Brasília: Universidade de Brasília, 2012 [1922].


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN: 2447-8091