A QUESTÃO DA RAZÃO E DA RESPONSABILIDADE E O PROBLEMA DA IRRACIONALIDADE NO AGIR MORAL

Ana Paula da Silveira Simões Pedro

Resumo


A questão central em análise neste artigo é a de discutir que papel a irracionalidade, tomada por meio do exemplo da acrasia, ocupa na razão e na responsabilidade do agir moral. A acrasia é aqui entendida como a ação realizada pelo agente, contrária aos seus melhores juízos iniciais; trata-se de uma ação intencional, mas irracional, pois o sujeito parece agir contra aquilo que ele próprio havia deliberado como sendo o melhor. Esse tema foi suscitado a partir do confronto com a tese defendida por Wolf em Freedom within reason (1990) e Asymmetrical freedom (1980), segundo a qual o sujeito só é livre e responsável se agir em conformidade com a razão. Em consequência, assim será ditada a natureza da responsabilidade moral como assimétrica somente para quem realiza uma ação moral negativa. Essa posição é em tudo semelhante à que Sócrates e Platão defenderam, para quem o sujeito só faz o mal por ignorância. Contrariamente a Wolf, defenderemos a posição de que a ação dos sujeitos pode ser igualmente motivada por causas irracionais. Sustentaremos a ideia de que os sujeitos permanecerão livres e responsáveis mesmo quando agem acraticamente, salvo raras exceções patológicas. Esse fato introduz a ideia de uma certa irracionalidade na ação moral; contudo, defenderemos que o sujeito não pode deixar de ser responsabilizado por isso. Na primeira parte, apresentaremos o princípio wolfiano da razão; na segunda, aduziremos a responsabilidade assimétrica; na terceira, apontaremos limites críticos dos argumentos apresentados, demonstrando a insuficiência de cada uma delas

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