As artes de emocionar e a ética de Aristoteles

Juliana Satana de Almeida

Resumo


O artigo examina a possibilidade das emoções (páthe) expostas na Retórica e na Poética apresentarem conteúdo ético. Esse questionamento surgiu devido à peculiaridade dos assuntos discutidos nos diferentes escritos de Aristóteles. Para esclarecer tal dúvida analisamos os trechos dos dois tratados que mencionam as emoções e nos quais verificamos traço especial cedido a elas: elementos de acionalidade. Assim, percebemos que os discursos retóricos podem solicitar deliberação para decisões políticas, ligando as emoções a um aspecto ético. Com as emoções trágicas, que serão associadas àquelas descritas na Retórica, o filósofo também apresenta traços de racionalidade. Mas Aristóteles parece entender que a poesia ou o espetáculo trágico permite ao homem lidar melhor com suas emoções. O que pode implicar uma espécie de preparação para a realidade. Tais constatações nos levaram a responder positivamente à questão sobre um possível traço ético nas páthe descritas na Poética e pela Retórica.

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