O Mentiroso contra-ataca: a inadequação do dialeteísmo

Jonas R. Becker Arenhart, Ederson Safra Melo

Resumo


O paradoxo do Mentiroso surge facilmente em línguas naturais; a partir de recursos muito simples e intuitivos derivamos uma contradição. Diante disso, alguns filósofos — conhecidos como dialeteístas — tomam o Mentiroso como um argumento correto que mostra que há contradições verdadeiras (dialeteias). Uma das alegadas vantagens do dialeteísmo seria sua naturalidade, visto que essa abordagem não restringe nenhum recurso que leva ao paradoxo, podendo capturar a noção intuitiva de contradição. Como o dialeteísmo é a tese de que algumas, mas não todas, contradições são verdadeiras, a lógica subjacente deve ser paraconsistente, para que a linguagem não trivialize na presença de contradições. A Lógica do Paradoxo (LP) é proposta por eles como o formalismo capaz de retratar as intuições subjacentes ao conceito de contradição, envolvido no Mentiroso, sem trivialidade. Neste artigo, vamos argumentar que este desideratum não pode acontecer. Especificamente, tomaremos um sentido intuitivo, mas bastante claro, de contradição que, segundo os dialeteístas, está na “essência do Mentiroso” e argumentaremos que lógicas paraconsistentes, como LP, não podem retratar tal contradição sem trivialidade. Com isso, ao contrário das alegações dialeteístas, concluímos que o Mentiroso não pode servir como uma motivação para a tese dialeteísta de que há contradições verdadeiras. Mais do que isso, argumentaremos que o Mentiroso coloca em questão a coerência do dialeteísmo, mostrando que o dialeteísmo não pode funcionar.

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