O feminismo negro e a estética do sublime em Merci Beaucoup, Blanco!

Alice Lino Lecci

Resumo


O presente trabalho apresenta uma crítica à performance Merci beaucoup, Blanco!de Michelle Mattiuzzi e à sua auto reflexão sobre a mesma, publicada na 32ª Bienal de São Paulo - Incerteza Viva (2016), intitulada Escrito experimento fotografia performance. Trata-se de uma análise sobre a forma como essa performance e tais escritos promovem o embate ao racismo e à discriminação por gênero e classe social, de modo a suscitar sentimentos contraditórios de choque, horror e comprazimento no seu espectador; análogos ao sentimento do sublime. Para tanto, destacam-se aspectos da história do pensamento racista no Brasil e da historiografia oficial relativa à população negra a fim de contextualizar os sentimentos de dor e horror, que permeiam tanto a experiência pessoal da artista quanto a sua representação performática. Em seguida, consideram-se as características dessa performance, que podem incitar sentimentos de prazer na observadora e no observador, como a resistência da mulher negra e a sua representação política no campo da arte e da cultura. E por fim, com intuito de concluir as possibilidades de fruição da obra em questão, tomam-se como referência, além do texto da artista, certos argumentos constituintes do conceito do sentimento do sublime, conforme apresentados por Immanuel Kant e Jean-François Lyotard. 


Palavras-chave


arte negra, performance, sublime, racismo, crítica de arte.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, Joel Zito. A força de um desejo-a persistência da branquitude como padrão estético audiovisual. Revista USP, São Paulo, n. 69, p. 72-79, 2006. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13514/15332. Acesso em: 28/01/2018.

ASSIS, Machado. Pai contra mãe. In: Relíquias da casa velha. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1906.

BURKE, Edmund. Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo. Campinas: Papirus: Editora da Universidade de Campinas, 1993.

CHIAVENATO, J. José. O negro no Brasil. São Paulo: editora Brasiliense, 1986.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017

DIWAN, Pietra. Raça Pura: uma história de eugenia no Brasil e no mundo. São Paulo: Editora Contexto, 2015.

FIUZA, Denis Henrique. A Propaganda da Eugenia no Brasil: Renato Kehl e a implantação do racismo científico no Brasil a partir da obra “Lições de Eugenia”. Aedos, Porto Alegre, v. 8, n. 19, p. 85-107, Dez. 2016. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/68669/40555. Acesso em: 30/12/2017.

FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos Brancos. São Paulo: Global, 2007.

FOUCOULT, Michel. História da Sexualidade 2: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda, 1998. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2940574/mod_resource/content/1/Hist%C3%B3ria-da-Sexualidade-2-O-Uso-dos-Prazeres.pdf. Acesso em: 15/01/2018.

HALL, S. Cultura e Representação. Rio de Janeiro: Editoria PUC Rio, 2016.

HUBER,Sacha. Louis quem? O que você deveria saber sobre Louis.In: MOURA, Sabrina (Org.) Panoramas dos Sul. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2015.

KANT, Immanuel. Crítica da Faculdade do Juízo. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 2005.

LONGINO. Do sublime. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

LYOTARD, Jean-François.L’inhumain. Causeries sur le temps. Paris: ÉditionsGalilée, 1988.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich.Manifesto do Partido Comunista. Estud. av., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-46, dec. 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141998000300002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 3/02/2017.

MASIERO, André Luis. "Psicologia das raças" e religiosidade no Brasil: uma intersecção histórica. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 22, n. 1, p. 66-79, Mar. 2002. Disponível em: Acesso em: 30/12/2017.

MATTIUZZI, Michelle. Merci beaucoup, Blanco.Escrito, Experimento, Fotografia, Performance. Publicação comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo em ocasião da 32a Bienal de São Paulo - Incerteza Viva. São Paulo, 2016. Disponível em: https://issuu.com/amilcarpacker/docs/merci_beaucoup__blanco_michelle_mat. Acesso em: 07/11/2017.

MUNANGA, K. Negritude: usos e sentidos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

NARLOCH, Leandro. Escravos: a vida e o cotidiano de 28 brasileiros esquecidos pela história. Rio de Janeiro: GMT EditoresLtda, 2017.

NEWMAN, Barnett. The sublime is now (1948). In: O’NEILL, John P. (Org.). Barnett Newman: selected writings and interviews. Los Angeles: University of California Press, 1992, p.170-174.

RAEDERS,Georges. O Conde de Gobineau no Brasil. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1988.

ROMERO, Sílvio. O direito brasileiro no século XVI (1899). In: Ensaios de sociologia e literatura, Rio de Janeiro, Garnier, 1901.

SANTOS, Milton. Ser Negro no Brasil hoje. Ética enviesada da sociedade branca desvia enfrentamento do problema negro. Folha de São Paulo, São Paulo, 7 de maio de 2000, Caderno Mais. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0705200007.htm. Acesso em: 04/02/2017.

SOUZA, Vanderlei Sebastião de. A política biológica como projeto: a “eugenia negativa” e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1932). Dissertação (Mestrado em História das Ciências) - Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro,215 f, 2006.

VIANA, Oliveira. Instituições políticas brasileiras. Brasília: Conselho Editorial do Senado Federal. Coleção Biblioteca Básica Brasileira, volume II, 1999. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/1028/211740.pdf?sequence=4. Acesso em: 15/01/2018.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Artefilosofia

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

ArteFilosofia - Publicação Semestral

Revista de Estética e Filosofia da Arte do Programa de Pós-graduação em Filosofia - UFOP

ISSN: 2526-7892 (on-line)

ISSN: 1809-8274 (impresso)

Qualis CAPES: B1 (Filosofia)

Endereço de contato: artefilosofia.defil@ufop.edu.br 

ArteFilosofia – Biannual Journal

Journal of Aesthetic and Philosophy of Art. Graduation Program on  Philosophy – UFOP

ISSN: 2526-7892 (on-line)

ISSN: 1809-8274  (print)

Qualis CAPES: B1 (Philosophy)

Contact: artefilosofia.defil@ufop.edu.br