História da música popular e enquadramento

Claudia Pellegrini Drucker

Resumo


As dificuldades patentes envolvidas na pergunta sobre o tratamento filosófico adequado a dar à música popular são de várias ordens.  A história da filosofia partiu da premissa que esta música não é artística, pois não é erudita, e deu prioridade à sua inserção social, definindo-a como nada além de mercadoria. Neste artigo, enfatizo que a premissa está diretamente associada a uma “narrativa mestra” em que a definição de música artística e sua história se reforçam mutuamente para excluir a música popular do âmbito da música artística.  Esta narrativa concede um lugar privilegiado à música modernista ou de vanguarda.  O que foi chamado pós-modernismo não nega a validade da história da arte, apenas a sua validade como padrão de medida (enquadramento) excludente.  A liberação diante de categorias tradicionais (ou desenquadramento) permite também suspeitar da existência de uma história incipiente da música popular, o que é feito aqui como análise de uma literatura específica.  Haveria na literatura brasileira já volumosa uma tentativa de determinar o modo de ser da música popular e, por conseguinte, os seus critérios de realização ou fracasso?

Palavras-chave


Filosofia da arte, filosofia da música, história da música, modernismo, pós-modernismo

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