O cinema como lembrança encobridora

Diego Amaral Penha, Miriam Debieux Rosa

Resumo


O artigo trabalha as articulações entre psicanálise e cinema destacando como as reflexões sobre a construção de uma história ficcional na arte cinematográfica contribui para o debate em torno da memória e da verdade histórica do sujeito e da sociedade, assim como a psicanálise pode contribuir para elucidar parte do funcionamento da máquina de narrar histórias que é o cinema, particularmente através da noção psicanalítica de “lembrança encobridora”. É demonstrado que tal noção permite compreender a particularidade de a experiência cinematográfica articular passado e presente em uma narrativa, que em última instância é ficcional. No cinema o que se busca na organização estético-dramática é obedecer às regras pré-estabelecidas por regimes como melodrama, comédia e tragédia, a ideia não é exatamente recuperar a experiência do acontecimento tal como foi vivida, ou seja, buscar quinhão afetivo de quem o viveu, tal como em uma análise. Este estatuto é possível devido à maneira como o cinema localiza-se como forma de arte, combinando duas poéticas distintas: a poética clássica e a poética dos signos. Tais processos permitam revelar a verdade através de uma estrutura de ficção.


Palavras-chave


cinema; lembrança encobridora; ficção; memória;

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